A
Grã-Bretanha declarou guerra à Alemanha em 04 de agosto de 1914. Em 9 de
agosto, a BEF começou embarcar para a França. A força compunha 80.000 soldados
em dois corpos profissionais, inteiramente composta de soldados voluntários por
tempo de serviço e reservistas, eram muito bem treinados e experientes, os
Fuzileiros Reais eram a nata do Exército Britânico, talvez os melhores do
mundo. Os britânicos chegaram em Mons em 22 de agosto. Nesse dia, o 5º Exército
Francês, localizado no lado direito da BEF, foi fortemente envolvido com os
alemães do Segundo e Terceiro exércitos na Batalha de Charleroi. A pedido do 5º
Exército francês de Charles Lanrezac, o comandante da FEB, Sir John French, concordou
em manter a linha do canal Condé-Mons-Charleroi por 24 horas, para evitar o
avanço do 1º Exécito Alemão que ameaçava o flanco esquerdo francês. Os
britânicos passaram o dia cavando ao longo do canal. A Batalha de Mons foi o
primeiro combate da Força Expedicionária Britânica na guerra.
O comandante
britânico era o marechal Sir John French,
e o alemão era o general Alexander von Kluck, as forças britânicas estavam
divididas em 2 corpos de infantaria, 1 divisão de cavalaria, 1 brigada da
cavalaria, somando 80.000 homens, 300 canhões e algumas metralhadoras. Os
alemães somavam 160 mil homens divididos em 4 corpos de infantaria, 3 divisões
de cavalaria, 600 canhões e muitas
metralhadoras, uma força bem maior do que os ingleses. A BEF estava posicionada
para impedir que o Exército Alemão invadisse a França. Várias pontes em Mons
estavam sendo vigiadas enquanto os alemães se aproximavam. As duas divisões de
infantaria britânicas estavam sob o comando dos generais Sir Douglas Haig e Sir
Horace Smith-Dorrien. O Reconhecimento aéreo alemão havia detectado tropas
britânicas em 21 de agosto, avançando de Le Cateau para Maubeuge, e em 22 de
agosto de Maubeuge para Mons.
Os voos britânicos de reconhecimento tinham
começado no dia 19 de agosto e também em 20 de agosto, que não registraram
sinal de tropas alemãs. Em 21 de agosto, pilotos britânicos avistaram tropas
alemãs perto de Kortrijk e viram três aldeias em chamas. Uma equipe de
reconhecimento de bicicleta encontrou uma unidade alemã perto de Obourg, e um
dos ciclistas, John Parr tornou-se o primeiro soldado britânico a ser morto na
guerra. A primeira ação significativa ocorreu na manhã de 22 de Agosto. Às
6h30, a cavalaria dos Dragões da Guarda fizeram uma emboscada numa patrulha
alemã de lanceiros fora da aldeia de Casteau, ao nordeste de Mons. Quando os
alemães viram a armadilha, resolveram fugir, uma tropa dos dragões liderada
pelo capitão Hornby começou a
perseguição com homens armados com sabres. Na retirada, os alemães levaram os
britânicos contra uma força maior de lanceiros, o capitão Hornby se tornou o
primeiro soldado britânico a matar um alemão na guerra, a luta foi cavalo
contra cavalo e sabres contra lanças. Doze missões de reconhecimento aéreo
aconteceram em 22 de agosto e relataram a aproximação de muitas tropas alemãs.
Um avião britânico foi derrubado e um observador tornou-se o primeiro piloto
britânico a ser ferido durante o voo.
O
2º Corpo da Infantaria comandado por Dorrien
enfrentou a maior parte da investida alemã, o 1º Corpo de Haig estava
posicionado bem atrás. Na madrugada de 23 de agosto um bombardeio de artilharia
alemã começou nas linhas britânicas; ao longo do dia os alemães concentraram-se
no canal de Mons. Às nove horas o primeiro assalto da infantaria alemã começou,
com os alemães tentando forçar seu caminho através de quatro pontes que
cruzavam o canal no saliente. Quatro
batalhões alemães atacaram a ponte Nimy, que foi defendida pelo 4º Batalhão de
Fuzileiros Reais e duas metralhadoras
Lewis lideradas pelo tenente Maurice Dease.
Avançando em estreita coluna cerrada, os alemães se
tornaram alvos fáceis para os fuzileiros britânicos que disparavam seus
rifles Enfield matando muitos alemães. A metralhadora comandada pelo tenente Dease estava segurando o avanço
alemão lhes infligindo muitas baixas, o fogo dos rifles britânicos eram tão
eficientes que os alemães pensaram que enfrentavam baterias de metralhadoras. O
ataque alemão inicial foi repelido deixando mais de 500 mortos em poucos
minutos. Os alemães então mudaram o avanço para uma formação aberta e atacaram
novamente com fuzis, metralhadoras e canhões. Este ataque foi bem sucedido, a
formação alemã estava mais flexível tornando difícil para os britânicos infligir
baixas rapidamente. As defesas começaram a serem ultrapassadas, e pressionadas
para defender as travessias do canal, os Fuzileiros na ponte Nimy enfrentaram
os mais pesados combates; a bravura excepcional das metralhadoras do tenente
Dease e dos Fuzileiros Reais do capitão Ashburner atrasaram os ataques alemães.
Na ponte Nimy, Dease assumiu o controle de
sua metralhadora depois de todos os outros membros da sua seção terem sido
mortos ou feridos, e disparou a arma enquanto foi possível, essa ação
possibilitou a retirada dos Fuzileiros
Reais, o tenente Dease foi baleado várias vezes, inclusive na cabeça. Depois de
ser alvejado no pescoço acabou morrendo. Quando Dease não foi capaz de operar a
arma, o soldado Sidney Godley assumiu a metralhadora e ficou para trás para
cobrir a retirada do que restara dos Fuzileiros no final da batalha. Godley levou um tiro na cabeça, mesmo assim conseguiu
se levantar e jogou partes da metralhadora Lewis no canal para evitar
seu confisco pelos alemães. Ele foi capturado pelos alemães e levado
como prisioneiro de guerra com a bala ainda alojada na sua cabeça.
À
direita dos Fuzileiros Reais, o Regimento de Middlesex, e o 1º Batalhão Gordon
Highlanders, foram igualmente pressionados pelo ataque alemão no saliente. Em
grande desvantagem numérica, os dois batalhões sofreram pesadas baixas, mas com
a adição de reforços do Regimento Real Irlandês, eles conseguiram manter as posições. Os alemães expandiram seu ataque, assaltando
as defesas britânicas ao longo do alcance direto do canal para o oeste do saliente.
À tarde a posição britânica no saliente tinha se tornado insustentável; o Regimento
Middlesex teve 15 oficiais e 353 soldados mortos ou feridos. No leste da
posição britânica, unidades alemãs começaram a atravessar o canal, ameaçando o
flanco direito britânico. Na ponte Nimy, o soldado Oskar Niemeyer havia nadado
através do canal debaixo de fogo britânico para explodir uma ponte. Embora ele
tenha sido morto, suas ações ajudaram na destruição da ponte, permitindo que o
ataque alemão contra os britânicos
diminuísse.
A cidade de Mons foi sistematicamente bombardeada pela artilharia alemã, matando muitos civis belgas, soldados e oficiais ingleses. Os britânicos foram condenados a retirar-se do saliente. Ao cair da noite o 2º Corpo de Infantaria estabeleceu uma nova linha defensiva que atravessa as aldeias de Montreul, Boussu , Wasmes, Paturages e Frameries. Os alemães haviam construído pontes de pontão sobre o canal e foram se aproximando das posições britânicas com grande força. Haviam chegado notícias que o 5º Exército francês havia recuado, expondo o flanco direito britânico, as duas horas da manhã de 24 de Agosto, o 2º Corpo foi obrigado a recuar para o sul-oeste da França para chegar a posições defensivas ao longo da Valenciennes – Maubeuge.
A
ordem inesperada de recuar a partir de linhas defensivas significava que 2º
Corpo foi obrigado a lutar contra uma série de ações de retaguarda contra os
alemães. Para a primeira fase da retirada, Smith-Dorrien ordenou à 5ª Brigada
da Divisão 2, que não tinha sido envolvida em combates pesados em 23 de agosto,
para atuar como retaguarda. Em 24 de agosto a 5ª Brigada lutou várias ações permitindo a
retirada do Exército em segurança. Na aldeia de Wasmes, a 5ª Divisão
enfrentou um grande ataque, a artilharia alemã começou a bombardear a aldeia de
madrugada, finalmente às dez horas o 1º Corpo de Infantaria de Douglas
Haig conseguiu atacar os alemães. Avançando em colunas, os alemães atacavam com
fuzis e metralhadoras, apesar de muitas vítimas britânicas, conseguiram retirar-se
em boa ordem para a aldeia de St. Vaast. A Retirada continuou durante duas
semanas e cobriu mais de 400 quilômetros. Os britânicos foram perseguidos de
perto pelos alemães e lutaram várias ações de retaguarda, incluindo a Batalha
de Le Cateau em 26 de agosto, a ação de retaguarda em Étreux em 27 de Agosto e a
batalha de Néry em 1 de Setembro.
Ambos
os lados tiveram sucesso na Batalha de Mons: os britânicos haviam sido
superados em número de 3 por 1, mas conseguiram resistir ao Primeiro Exército
alemão durante 48 horas, infligir mais baixas sobre os alemães e, em seguida,
retirar-se em boa ordem. A BEF atingiu o seu principal objetivo estratégico,
evitar que o 5º Exército francês fosse flanqueado. Pesadas baixas foram infligidas
sobre os alemães atrasando ainda mais os planos
de vencer a França em pouco tempo. Por outro lado os alemães expulsaram
os exércitos franceses e a BEF até as portas de Paris.
A
batalha de Mons alcançou um status quase mítico. Na escrita histórica
britânica, tem uma reputação como uma vitória improvável contra todas as
adversidades, semelhante à vitória na Batalha de Azincourt, quando
britânicos venceram uma força enorme de franceses durante a Guerra
dos Cem Anos. Mons ganhou um
mito, um conto milagroso dos Anjos de Mons - guerreiros
angélicos descritos como fantasmas de Azincourt
- tinham salvado o exército britânico das tropas alemãs. Alguns soldados
afirmaram que tiveram visões de cavaleiros fantasmas, anjos ou arqueiros, e
isso ocorreu durante a retirada britânica. Entretanto os supostos anjos não
intervieram para atacar ou impedir as forças alemãs. Durante a retirada muitas
tropas estavam exaustas e não tinha dormido bem durante dias, e podem ter sido alucinações.
Um outro murmúrio entre as tropas era a
história do Lobo de Mons, um cão demoníaco
que destroçou alemães e ingleses
nas trincheiras de Mons, provavelmente outra alucinação, é bem provável que
fossem lobos ou cachorros se alimentando
dos soldados mortos.
Através do curso de toda a guerra nunca as
tropas britânicas lutaram com tamanha desvantagem numérica, 1.600 britânicos foram mortos em
Mons, mas as perdas alemãs foram de 5.000 homens. A heroica ação na ponte Nimy concedeu a Victoria Cross ao tenente Maurice
Dease e ao soldado Sidney Godley, foram
os primeiros ingleses da guerra a receber a mais alta honraria do Exército
britânico. O corpo do tenente Dease encontra-se em St. Symphorien, cemitério
fora de Mons, junto com muitos homens e oficiais de seu batalhão.
Sidney Goodley
Tenente Maurice Dease
John Parr
Charles Lanrezac
Marechal Sir John French
General Alexander von Kluck
General Sir Douglas Haig
General Charles Lanrezac
General Sir Smith Dorrien

























4 comentários:
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Já produziram algum filme (ou documentario) sobre essa "Batalha de Mons" ?!?!
Sim. Existe um documentário sobre a Batalha de Mons.
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